Ao chegarmos, na quinta pela manhã, o dia estava um pouco mais do que maravilhoso, ensolarado e com céu muito azul. Para completar, o visual é absolutamente desbundante. Não me lembro de ter conhecido lugar mais bonito.
Viemos direto de Milano, num carro alugado (EU$200) carregados de malas, Luísa junto. Depois de desembarcar na Villa, Lilian foi instalar a Luísa num albergo que, coincidentemente, pertence a um dos funcionários da Villa há 27 anos, Vittorio. Ela recebeu tratamento especial por ser filha de um residente, o que aparentemente é uma alta distinção entre as centenas de frequentadores do lugar.
A Villa é um construção muito antiga, com algumas partes construídas há mais de mil anos. Ao longo do tempo foram feitas várias adaptações, a maioria durante a longa gestão da Principessa, que governou este lugar ao longo da primeira metade do século passado, até ser comprado pela Fundação Rockfeller em 1959.
Fica no alto de um morro que dá vista para as duas pernas do Lago di Como, que parece um Y invertido, com Bellagio bem no ponto de encontro das três linhas. A parte norte do lago (a perna vertical do Y) fica atrás da Villa e fora da nossa vista.
Na chegada fui logo endereçado para a nossa residenza, um quarto com escritório acoplado e banheiro. Uns 80m2 no total. Fomos designados para a "casa avermelhada", uma construção menor do que a "casa amarelada" que é a principal da Villa. No início achei que era de menor prestígio ficar fora da casa amarelada, que é onde tudo acontece: café da manhã, almoço, jantar, reuniões. Logo percebi que ficar mais isolado (há apenas 4 residenzas na casa avermelhada) é uma grande vantagem. Ficamos um pouco abaixo no morro e temos que subir para todos os eventos sociais diários, mas mantemos uma privacidade que é bem melhor do que a dos que ficam na casa principal. E com a vista que temos do lago, tanto do escritório quanto do quarto, difícil dizer que estamos perdendo algo.
O almoço de recepção no terraço foi a coisa mais parecida com uma cena de cinema na qual eu estive dentro. Cinema clássico, bem entendido. Deslumbrante. Às vezes precisava chacoalhar a cabeça para sentir que tudo era de verdade, não uma fantasia.
Os outros hóspedes fomos conhecendo pouco a pouco, em cada encontro social. No primeiro almoço, três americanos: o simpático assessor do secretário geral da ONU, um senhor, jornalista e escritor, presidente de uma faculdade americana, e um falante diretor da Gates Foundation, na área ambiental. Almoço leve, com salada de alface, tomate e muzzarela di bufala na entrada e millefoglie di zuchini como prato principal. Sobremesa de frutas, lindas e suculentas. Vino bianco para acompanhar.
No jantar, além de encontrar outros residentes (incluindo um ex-primeiro ministro da Austrália), estivemos com um grupo que está aqui para uma conferência (ficam separados dos residentes em outra construção mais abaixo na propriedade), no qual a melhor surpresa foi conhecer uma japonesa que estudou psicologia na PUC-SP e mora em Yokohama, segundo ela a única psicóloga clínica que atende em Português no Japão. É especialista em "massive disasters" e com grande experiência depois do acidente com a usina nuclear recentemente.
Logo vamos fazendo as turminhas. Além do assessor da ONU e do diretor da faculdade americana, tivemos conversa fácil com o indiano da National Geographic e com o casal de brasileiros da ESALQ, em Piracicaba (que conhece minha irmã). Nosso vizinho de porta, um antropólogo que está acompanhado do marido, se mostrou ser um esnobe e chato. Por termos que encontrar com ele sempre, pela nossa vizinhança, deu pra perceber que não vai rolar nenhuma simpatia dali.
Toda a Villa é comandada por uma espanhola da Galícia educada no México, que tem pulso firme e faz todo o possível para manter tudo sob controle, principalmente os horários da agenda social. De qualquer forma, foi muito simpática e nos levou ao médico para ver a situação da Lilian, que está há dois dias sem voz e com muita tosse.
Ontem choveu e à noite descemos para il Villagio, que é na verdade a cidade de Bellagio, já que a Villa parece algo que fica fora do alcance dos turistas de todos os lugares que, no verão, invadem a cidadezinha de 3 mil habitantes. Assistimos à vitória suada do Brasil contra a Colômbia num barzinho muito elegante chamado Princess, certamente em homenagem à personagem mais importante do lugar. Comemoramos sozinhos, pois os outros turistas presentes eram colombianos, belgas, alemães. Os italianos, os únicos que estavam nos apoiando, foram embora antes do segundo tempo.
O tempo voltou a ficar bom hoje, então vamos aproveitar o sábado um pouquinho. Escrevo mais detalhes sobre a Villa, a cidade, as pessoas, a comida e, até sobre o trabalho, nas próximas postagens.
Por enquanto, fiquem com algumas fotos (© Lilian Cardia).

Viemos direto de Milano, num carro alugado (EU$200) carregados de malas, Luísa junto. Depois de desembarcar na Villa, Lilian foi instalar a Luísa num albergo que, coincidentemente, pertence a um dos funcionários da Villa há 27 anos, Vittorio. Ela recebeu tratamento especial por ser filha de um residente, o que aparentemente é uma alta distinção entre as centenas de frequentadores do lugar.
A Villa é um construção muito antiga, com algumas partes construídas há mais de mil anos. Ao longo do tempo foram feitas várias adaptações, a maioria durante a longa gestão da Principessa, que governou este lugar ao longo da primeira metade do século passado, até ser comprado pela Fundação Rockfeller em 1959.
Na chegada fui logo endereçado para a nossa residenza, um quarto com escritório acoplado e banheiro. Uns 80m2 no total. Fomos designados para a "casa avermelhada", uma construção menor do que a "casa amarelada" que é a principal da Villa. No início achei que era de menor prestígio ficar fora da casa amarelada, que é onde tudo acontece: café da manhã, almoço, jantar, reuniões. Logo percebi que ficar mais isolado (há apenas 4 residenzas na casa avermelhada) é uma grande vantagem. Ficamos um pouco abaixo no morro e temos que subir para todos os eventos sociais diários, mas mantemos uma privacidade que é bem melhor do que a dos que ficam na casa principal. E com a vista que temos do lago, tanto do escritório quanto do quarto, difícil dizer que estamos perdendo algo.
O almoço de recepção no terraço foi a coisa mais parecida com uma cena de cinema na qual eu estive dentro. Cinema clássico, bem entendido. Deslumbrante. Às vezes precisava chacoalhar a cabeça para sentir que tudo era de verdade, não uma fantasia.
Os outros hóspedes fomos conhecendo pouco a pouco, em cada encontro social. No primeiro almoço, três americanos: o simpático assessor do secretário geral da ONU, um senhor, jornalista e escritor, presidente de uma faculdade americana, e um falante diretor da Gates Foundation, na área ambiental. Almoço leve, com salada de alface, tomate e muzzarela di bufala na entrada e millefoglie di zuchini como prato principal. Sobremesa de frutas, lindas e suculentas. Vino bianco para acompanhar.
No jantar, além de encontrar outros residentes (incluindo um ex-primeiro ministro da Austrália), estivemos com um grupo que está aqui para uma conferência (ficam separados dos residentes em outra construção mais abaixo na propriedade), no qual a melhor surpresa foi conhecer uma japonesa que estudou psicologia na PUC-SP e mora em Yokohama, segundo ela a única psicóloga clínica que atende em Português no Japão. É especialista em "massive disasters" e com grande experiência depois do acidente com a usina nuclear recentemente.
Logo vamos fazendo as turminhas. Além do assessor da ONU e do diretor da faculdade americana, tivemos conversa fácil com o indiano da National Geographic e com o casal de brasileiros da ESALQ, em Piracicaba (que conhece minha irmã). Nosso vizinho de porta, um antropólogo que está acompanhado do marido, se mostrou ser um esnobe e chato. Por termos que encontrar com ele sempre, pela nossa vizinhança, deu pra perceber que não vai rolar nenhuma simpatia dali.
Toda a Villa é comandada por uma espanhola da Galícia educada no México, que tem pulso firme e faz todo o possível para manter tudo sob controle, principalmente os horários da agenda social. De qualquer forma, foi muito simpática e nos levou ao médico para ver a situação da Lilian, que está há dois dias sem voz e com muita tosse.
Ontem choveu e à noite descemos para il Villagio, que é na verdade a cidade de Bellagio, já que a Villa parece algo que fica fora do alcance dos turistas de todos os lugares que, no verão, invadem a cidadezinha de 3 mil habitantes. Assistimos à vitória suada do Brasil contra a Colômbia num barzinho muito elegante chamado Princess, certamente em homenagem à personagem mais importante do lugar. Comemoramos sozinhos, pois os outros turistas presentes eram colombianos, belgas, alemães. Os italianos, os únicos que estavam nos apoiando, foram embora antes do segundo tempo.
O tempo voltou a ficar bom hoje, então vamos aproveitar o sábado um pouquinho. Escrevo mais detalhes sobre a Villa, a cidade, as pessoas, a comida e, até sobre o trabalho, nas próximas postagens.
Por enquanto, fiquem com algumas fotos (© Lilian Cardia).
Muito legal a idéia do blog! Vá postando que a gente vai acompanhando.
ResponderExcluirA vida que pedi a Deus!!
ResponderExcluirDemais! Um privilégio que você merece desfrutar.
ResponderExcluirEdu, demais o diário. Já virei fã! Aproveitem muito tudo aí! Estou morrendo de inveja. Kkkk. Mas muito bom acompanhar os dias por aí com vcs. E melhoras para Lilian! Bjs
ResponderExcluirIn bocca al luppo !!!!!
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