Amanhã é nosso último dia em Bellagio. Passamos um mês inesquecível aqui. E bota inesquecível nisso.
Além de termos desfrutado de uma oportunidade maiúscula e única, muito dificilmente teremos experiência semelhante, aqui ou em qualquer outro lugar.
Pelas pessoas, pelo lugar, pela possibilidade de concentração no trabalho... E, claro, por curtir um pedacinho da Itália, esta terra linda, cheia de História, con la sua gente accogliente, cordiale, loquace e esagerata, um tanto como nós, brasileiros.

Sentimos falta de casa, dos amigos, da família, mas também soubemos aproveitar muito bem cada um dos muitos instantes que tivemos, nos jardins, à beira do lago, nos vilarejos dos arredores, nas escapadas de final de semana (St. Moritz, Venezia, Milano...). E também das conversas animadas com pessoas interessantes nas sociais diárias, além dos debates sobre assuntos os mais variados.
Não dá pra saber ainda quais serão os resultados desta nossa passagem por aqui. Para os nossos olhares sobre todas as coisas e lugares, para o nosso conhecimento, e para o nosso sentimento sobre o mundo em que vivemos, sabemos que nada será o mesmo.
Fico muito feliz por saber que estou aqui por um reconhecimento do meu trabalho passado, mas muito animado com as possibilidades para o que ainda poderei produzir no futuro, graças a estas quatro semanas aqui.
Talvez alguns contatos daqui deixem frutos (já tenho um convite para visitar o Senegal), mas talvez nunca mais vejamos as pessoas que encontramos aqui. De qualquer forma, meu C.V. certamente ficou mais pesado. Obrigado, "seu" Rockefeller.

Em algum momento no futuro, talvez vamos ficar sabendo de alguém com quem jantamos e jogamos conversa fora tenha tido um reconhecimento relevante. Três dos nossos fellow residentes certamente estão na possibilidade de uma visibilidade maior: o assessor da UN, a militante feminista iraniana e o doutor de NY. Outros podem se destacar pela sua qualidade artística, como o divertido iraquiano de tão tristonha arte, ou a já reconhecida e premiada poetisa.

Da turma de brasileiros, sou o com menos rodagem internacional, mas encaro isso como um prêmio, pois pude ter reconhecido meu trabalho, de alguma forma. Só por isso valeu ficar batendo na tecla dos correspondentes por tantos anos. Os amigos que me desculpem por tê-los aborrecido com este tema monocórdio, mas dominar (pelo menos) um assunto é fundamental.
Nesta última semana a Villa foi ficando cada vez mais vazia e, com isso, a melancolia foi aumentando. A cada dia um residente saía e sentíamos que a nossa vez estava chegando. E também também o fim da mamata de vinho de primeira, quarto arrumado três vezes por dia, refeições requintadas e garçons à nossa volta o tempo todo. Sem falar da distância da rotina no trabalho que nos atormenta e frequentemente nos torna improdutivos.
Só para não ficarmos tão tristes, ontem e hoje está chovendo muito, enevoando a beleza do lago, que parece coberto por um véu. Talvez amanhã e na nossa saída o tempo melhore só para o lago nos dizer "arrivederci". Isso vou poder contar depois.
Agora somos apenas três casais aqui e a equipe da Villa se prepara para as férias. Na quinta saímos todos, e no almoço já não terá mais nenhum residente. Nós pelo menos vamos tomar café antes de sair para pegar barco, trem e depois mais trem até chegar em Firenze, para desfrutar de nosso último final de semana na Itália.
Para terminar este blog que conta nossa história de cinema aqui em Bellagio, quero rememorar o clássico final de Casablanca, com a frase adaptada para o nosso caso e, evidentemente, na sua versão italiana: "avremo sempre Bellagio"
Além de termos desfrutado de uma oportunidade maiúscula e única, muito dificilmente teremos experiência semelhante, aqui ou em qualquer outro lugar.
Sentimos falta de casa, dos amigos, da família, mas também soubemos aproveitar muito bem cada um dos muitos instantes que tivemos, nos jardins, à beira do lago, nos vilarejos dos arredores, nas escapadas de final de semana (St. Moritz, Venezia, Milano...). E também das conversas animadas com pessoas interessantes nas sociais diárias, além dos debates sobre assuntos os mais variados.
Não dá pra saber ainda quais serão os resultados desta nossa passagem por aqui. Para os nossos olhares sobre todas as coisas e lugares, para o nosso conhecimento, e para o nosso sentimento sobre o mundo em que vivemos, sabemos que nada será o mesmo.
Fico muito feliz por saber que estou aqui por um reconhecimento do meu trabalho passado, mas muito animado com as possibilidades para o que ainda poderei produzir no futuro, graças a estas quatro semanas aqui.
Em algum momento no futuro, talvez vamos ficar sabendo de alguém com quem jantamos e jogamos conversa fora tenha tido um reconhecimento relevante. Três dos nossos fellow residentes certamente estão na possibilidade de uma visibilidade maior: o assessor da UN, a militante feminista iraniana e o doutor de NY. Outros podem se destacar pela sua qualidade artística, como o divertido iraquiano de tão tristonha arte, ou a já reconhecida e premiada poetisa.
Para terminar este blog que conta nossa história de cinema aqui em Bellagio, quero rememorar o clássico final de Casablanca, com a frase adaptada para o nosso caso e, evidentemente, na sua versão italiana: "avremo sempre Bellagio"





